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09 jun

Conceitos Centrais da Cosmovisão Cosmológica Yorùbá

Hoje vou apresentar, de forma resumida, alguns dos conceitos centrais da cosmovisão yorùbá.

É importante lembrar que existem diferentes versões dos Itan (narrativas sagradas), transmitidas oralmente ao longo dos séculos. Por essa razão, os detalhes podem variar entre diferentes regiões da África Ocidental, especialmente na Nigéria. Com a diáspora africana e a chegada dos povos yorùbás ao Brasil durante o período da escravidão, vieram também os Orixás, seus cultos e as tradições de seus ancestrais.

No Brasil, essas tradições deram origem a diferentes religiões afro-brasileiras, cada uma com suas particularidades, rituais e formas de culto. Apesar dessas diferenças, os Orixás permanecem como as Divindades centrais e fundamentais dessas religiões.

A Criação do Mundo

Segundo a narrativa dos meus mais velhos, da tradição de Ọ̀yọ́, da família Alákà à qual pertenço, aprendi que Olódùmarè confiou a Obàtálá (Oxalá), senhor do ar (Òfúrufú) e da energia atmosférica, a missão de criar a humanidade e organizar a Terra.

Obàtálá desceu do Orún (mundo espiritual) para o Àiyé (mundo material), carregando o saco ou cabaça da existência, contendo os elementos primordiais da criação.

Junto com Obàtálá vieram seu irmão Ajalá, Iyá Mi, Ògún e Èṣù. Posteriormente, os demais Orixás também desceram à Terra.

Ao chegarem ao Àiyé, os Orixás assumiram forma humana, formando as famílias ancestrais de seus respectivos descendentes. Por isso, conhecem as necessidades dos seus filhos e podem abençoá-los e favorecê-los conforme suas súplicas.

Sendo energias da natureza — físicas, químicas, espirituais e cósmicas — os Orixás nos ensinam a importância de renovar constantemente a força vital por meio dos elementos naturais: terra, fogo, ar e água. Dessa interação surge o Àṣẹ (Axé), força que sustenta a vida física e espiritual.

Destino e Conhecimento

Obàtálá trouxe os dezesseis Odù (caminhos do destino) e os entregou ao sistema oracular conhecido como Merindilogun, o jogo de dezesseis búzios, Erindinlogun são os primeiros Odu mais velhos que obatalá trouxe para orientar os Orixas e seus seguidores nas consultas espirituais.

Posteriormente, cada Orixá recebeu a responsabilidade de governar determinados aspectos da natureza, tornando-se representante das forças e elementos essenciais da criação.

Ajalá e o Ori

Ajalá recebeu a missão de moldar as cabeças (Ori). Utilizando terra e água, deu forma ao Ori, que representa muito mais do que a cabeça física.

Para os yorùbás, o Ori é a essência espiritual e individual de cada pessoa. É a divindade pessoal que orienta o destino e auxilia o ser humano em suas escolhas ao longo da vida.

Iyá Mi

Iyá Mi (“Minha Mãe”) representa as forças femininas da criação, ligadas à terra, às águas e aos pássaros, podemos reconhecer figura de Iya mi numa mulher gestante, isso é a representação viva de Iya mi.

Ela está associada à sociedade feminina ancestral e aos poderes espirituais responsáveis pela manutenção do equilíbrio do poder da procuração.

Os Poderes dos Orixás

A Ṣàngó foi concedido o poder dos raios, dos trovões, chuva e tempestades, o tempo varia conforme seu humor.

A Ọya Ìyánsàn a senhora do entardecer foi dado o domínio dos ventos, das tempestades e das transformações.

A Òṣun e Yemọja foram confiados os rios, as águas doces e a maternidade.

A Ọbalúayé, na Nigéria não veste palha, usa roupa preto e vermelho cravado de Búzios a ele foi concedido o poder da cura e da proteção contra enfermidades, incluindo a varíola (Ṣàpáńnà), que assolava populações em tempos que quentes.

E assim sucessivamente apr cada divindade, como o sol, a terra, o céu, a lua, as estrelas todos os elementos naturais do universo global.

Ifá é não é Orixá; Ifá são o conjunto de Oráculo trazido por Orunmila: O Rosário de opele e os ikin, coquinhos do dendêzeiro que com 16 Ikin formam o Assentamento de Orunmila.

O sistema de Ifá está associado aos oráculos Orunmilá; Opele ifá e o Ikin Ifa, detentor dos 256 Odu de Ifá.

Por meio dos ensinamentos de Ifá, busca-se compreender os caminhos ( Odu) humano e tomar decisões em harmonia com a vontade espiritual e com os princípios do universo.

Èṣù: O Mensageiro dos Caminhos

Èṣù é o senhor da Ordem e Progresso da comunicação, do movimento e das transformações.

Ele realiza a ligação entre o Orún e o Àiyé, transportando mensagens, leva as mensagens e as oferendas aos Orixás e garantindo a circulação do Àṣẹ, a força vital que sustenta a existência.

Na tradição yorùbá, Èṣù não representa o mal. Ele simboliza a dinâmica da vida, a abertura dos caminhos, a benevolência humanas e a proteção das portas e o comércio em geral.

Por essa razão, costuma ser saudado primeiro nos rituais, permitindo que a comunicação entre os mundos aconteça de forma harmoniosa.

Considerações Finais

A cosmovisão yorùbá ensina que o universo é sustentado pela interação entre o mundo espiritual e o mundo material. Os Orixás representam a força.divina presente na natureza e na vida humana, auxiliando no equilíbrio, na prosperidade, na saúde e no cumprimento do destino.

Àṣẹ! Que o conhecimento dos ancestrais continue iluminando os caminhos e fortalecendo a conexão entre o Orún e o Àiyé. Iya Ọya Tọrọ Ẹgbẹ Iyalode Bimipe Alaka

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