A Miscigenação Brasileira e a Compreensão dos Orixás nos Oráculos Tradicionais Yorùbá
Passando hoje para falar um pouco sobre as religiões afro-brasileiras e a Religião Tradicional Yorùbá.
As principais religiões afro-brasileiras são o Candomblé e a Umbanda, caracterizadas pelo sincretismo entre crenças africanas, catolicismo e espiritualidade indígena. Elas cultuam orixás (forças da natureza) e ancestrais, variando conforme a região e a nação (origem étnica), com destaque também para o Batuque, Xangô, Tambor de Mina e Omoloco. Hoje também se constituiu a Umbandomblé e, em breve, já podemos dizer o Ifable ou Candomblé-Ifá.
O que eu quero dizer com isso é mostrar a vocês a miscigenação cultural. O Brasil é considerado o país mais miscigenado do mundo, com uma formação populacional baseada na mistura de indígenas, europeus (principalmente portugueses) e africanos. Geneticamente, a população brasileira apresenta, em média, cerca de 60% de ancestralidade europeia, 27% africana e 13% indígena, com variações regionais marcantes.
A miscigenação, intensificada entre os séculos XVIII e XIX, é um pilar da identidade nacional, influenciando cultura, religião e culinária, mas também reflete uma história de violência colonial vivida nas senzalas, especialmente contra mulheres indígenas e africanas.
A ancestralidade europeia predomina no Sul e Sudeste, a africana no Nordeste, e a indígena é mais forte no Norte e Centro-Oeste.
A mistura de etnias resultou em uma cultura rica, diversificada e única, influenciada por elementos europeus, africanos e indígenas.
Quero dizer que essa mistura deu origem a todas as religiões afro-brasileiras existentes no Brasil.
A miscigenação é um processo contínuo que define a demografia brasileira, com mais de 90% dos brasileiros carregando essa diversidade em sua ancestralidade.
A informação que eu quero passar é que o Erindilogun (jogo de Búzios), o Ipele Ifá ou o Ikin Ifá falam sobre os Odu. Toda vez que jogamos para um consulente, surgirá um Odu. Esse Odu indicará a solução para a pergunta que o consulente fez no momento da consulta.
Também usamos os Ibo para confirmar SIM ou NÃO, ou ainda o direcionamento de como proceder, o que fazer, qual material utilizar e assim sucessivamente.
Quando os oráculos são lançados e surge um Odu para a pessoa, são feitas perguntas sobre como proceder e como ajudar o consulente. O oráculo também indica qual orixá deverá ser alimentado e pode definir o Oriṣa que trouxe a pessoa para a Terra, que a apadrinhou ou cuidou do consulente juntamente com seu orixá guardião.
O orixá guardião foi quem testemunhou a escolha do Ori e seu destino na Terra. Os Orixas que, por muitas vezes, acompanham ou ajudam na criação do consulente podem ser um ou mais Orixá. Eles podem estar ligados à ancestralidade do pai ou da mãe da pessoa.
Porém, o Orixá para iniciação deve ser apenas um. É aquele Orixá que responde no oráculo, indicado para a prosperidade da pessoa. Esse Orixá foi quem trouxe a pessoa para a Terra.
Para descobrir ou identificar esses Orixás, muitas vezes são necessários alguns critérios e ritos, porque nem todos os casos são iguais.
Por isso, muitas pessoas dizem ter orí meje (ori meje significa duas cabeças), quando, na verdade, o ser humano normalmente possui apenas uma cabeça.
No caso de a pessoa possuir mais de um Orixá guardião, inicia-se o Orixá indicado pelo oráculo. Os outros apontados são assentados posteriormente.
Espero ter me feito entender.
Erindilogun – (jogo de 16 Búzios)
Existem no Brasil vários cursos de Erindilogun e várias formas de se consultar os Búzios. Eu, particularmente, tenho três cursos: Candomblé Ketu + Jeje Maji, Jeje Nagô e o último fiz em Ọyo com a família Alaka.
Todos os sacerdotes das famílias de Sango em Ọyo possuem o mesmo sistema.
Os jogos diferenciam-se de família para família, de acordo com o sistema que a pessoa aprendeu. Não existe uma verdade absoluta. Também vale esclarecer que os Odu são transitórios e estão constantemente girando em torno do Sol, conforme a Terra.
Para a confirmação, existem os Ibo, para que não se fale por achismo.